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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Avaliações de Especialistas e Alunos do enino Médio e (Enem)

 Especialistas avaliam os currículos escolares e criticam os colégios que insistem no ensino apenas "conteudista"

Aula em dois turnos, uma média de três provas por dia, dezenas de matérias para estudar, outras tantas questões para decorar e, de cara, ainda ter de lidar com a pressão pela melhor nota e com a competitividade para passar no vestibular. Essa é a rotina de Ana Lídia de Almeida, 18, aluna do 3º ano que enfrenta as maratonas e ansiedades de decidir seu futuro profissional enquanto espera o resultado da classificação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

"A gente achava que, com o Enem, muita coisa fosse mudar. O ensino fosse ficar menos ´decoreba´, mais crítico e próximo do cotidiano. Mas, não mudou muito. A escola continua preparando só para o vestibular e pronto", critica a jovem. Entretanto, Lídia não é a única a reclamar. Vários estudantes estão tensos, aguardando o "desenrolar" dos fatos sobre o Enem e sofrendo com as incertezas do certame.

O doutor em Educação Brasileira e professor do departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jesus Garcia Pascual, tem opinião semelhante à estudante do 3º ano, e afirma ver com preocupação a competição acirrada pelos primeiros lugares no ingresso para os cursos superiores.

Pascual até tinha esperanças com o Enem, mas diz ter se decepcionado com as fraudes e o círculo vicioso que ainda mantém os alunos de entidades particulares e tradicionais nas melhores posições. "O Exame Nacional, como modelo de avaliação educacional, até mudou o perfil dos candidatos, mas não modificou ainda a pressão", comenta.
Competição
Com isso, a pergunta que não quer calar: se o objetivo principal do Enem é ser uma avaliação educacional complexa e justa ou um mero ranqueamento das instituições? O professor da UFC afirma não condenar a competição. Ela seria saudável para a sobrevivência. O problema é quando, segundo ele, essa competitividade acaba por mutilar aspectos importantes para o desenvolvimento ético, cultural e sustentável da sociedade.

"A competição existente é puramente comercial, ou já viram estampado em outdoor a face de um aluno que é homenageado por ser mais ético?", indaga. O estudante do 3º ano, Lucas Camelo, 17, conhece bem essa realidade de provas em cima de provas. Já na 5º série, entrou para o mundo das olimpíadas escolares. Viveu bem de perto essa disputa por medalhas e méritos. Para ele, a escola pressiona muito, faz até com que surja um clima chato, de quem é o melhor da turma, o campeão.

"Eu tento enfrentar isto bem. A pressão vem mais de mim. Mas, tem muitos alunos que enlouquecem, não seguram a barra", lamenta Camelo. O jovem, apesar de ter ganhado medalha de prata em um Olimpíada Internacional e ter feito bom índice no Enem, diz ter uma vida normal, de boa. Diverte-se e relaxa.

Otimismo
O professor da UFC, Wagner Andriola, especialista em produtividade de pesquisas, espera por novos tempos. "Sou bem otimista, e creio que o Enem intensificará essas mudanças curriculares, muito benéficas à formação dos alunos e bem como à sociedade", finaliza.

EDUCAÇÃO PARA A VIDA
Instituições deveriam ter uma visão mais holística
O que desejar de uma escola, só o repasse de conteúdo formais ou a formação da cidadania e de valores? Essa questão tem sido motivo de debates intensos, já mesmo antes da criação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 1998. Há quem critique a tal "educação bancária" e outros grupos que defendam uma escola bem mais rigorosa.

A empresária Martha Ramos, 36, ainda hoje tem esse dilema. Quer que a filha Isabela, 12, seja uma menina cidadã, sem abrir mão que ela passe no vestibular de medicina da UFC.

"O mundo cobra muito dos jovens. Quer que sejam bem sucedidos. Isso cria um nó na cabeça da gente e deles", ressalta.

Amplitude
Como uma saída para esse impasse, o professor de pedagogia da UFC, Wagner Andriola, pondera que a saída seja mesmo a mediação entre os interesses. "O problema hoje é que poucas instituições tem se preocupado com um olhar mais holístico na formação discente", diz.

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Ceará (Sinepe-CE), Airton de Almeida Oliveira, fala que a boa escola deveria ser aquela em que o indivíduo se sente bem acolhido para despertar o gosto em aprender.

Segundo o presidente Almeida, ninguém se sente bem em um local quando percebe que a incoerência nos critérios de avaliação vai de encontro com a possibilidade de desenvolver-se, sem falar em procedimentos de efeitos excludentes tal como o ranking entre alunos e a competição super desmedida. "A instituição deve estar atenta com aprendizagem e sucesso de seus alunos. Oferecer um ambiente saudável na construção de habilidade e competências de seus alunos, sintonizada na formação de sujeitos humanizados, com o preparo para o trabalho, a cidadania, a moral, o respeito a si e aos outros", finaliza o representante do Sinepe-CE.

ENTREVISTA
Tânia Viana - Prof. Eixo Avaliação do Ensino (UFC)
"O mais importante hoje em dia não é memorizar, mas pensar em como resolver problemas e inovar"

Ainda impera esse tipo de ensino que privilegia apenas a formação de conteúdos, visando só os vestibulares?
Na verdade, o ensino que privilegia a memorização de conteúdos é um movimento muito antigo e bastante resistente a mudanças. Caracteriza a Pedagogia Tradicional, influenciada por pedagogias religiosas vigentes nos séculos XVI e XVII. Centra-se no educador como autoridade pedagógica e moral e incentiva a submissão do aluno pela díade culpa e castigo. É um modelo pedagógico centralizado nos exames e que promove uma seletividade social, pois os exames, em sala de aula, são autoritários, seletivos e excludentes. A sociedade atual, contudo, apresenta novas demandas. O mais importante não é memorizar, mas pensar em como resolver problemas e inovar, visto que a informação se encontra facilmente disponível com as novas tecnologias.

E a formação para a cidadania, da educação para a libertação e da construção de valores. Tudo isso foi perdido com essa lógica da competição?
A lógica da competição é excludente. É válido preparar alunos para exames nacionais e procedimentos seletivos. Um exame bem realizado irá, de fato, selecionar os candidatos mais preparados e isso é desejável. O que é condenável é desvirtuar a sala de aula como lugar de construção da aprendizagem e formação para a cidadania para transformá-la num ambiente competitivo, individualista, voltado exclusivamente para a preparação de procedimentos seletivos.

Com o superar este cenário? O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seria uma solução, mas está fracassando?
A proposta do Enem seria a de um exame nacional que privilegiaria o raciocínio em vez da memorização. Nesse sentido, constitui um avanço. Contudo, adotar o Enem como a única forma de acesso ao Ensino Superior, impede a exploração de aspectos locais e regionais. Na minha opinião, penso ser melhor adotar o Enem como uma primeira fase e desenvolver uma segunda fase pela própria universidade, em que sejam abordados aspectos regionais nas diversas áreas do saber. Temos que amadurecer ideias e modificar esse processo seletivo.
Qual sua avaliação sobre o atual sistema de avaliação existente?As escolas e as universidades ainda insistem na Pedagogia do Exame em vez de uma Cultura da Avaliação. O exame é adequado para situações de classificação e certificação, mas se mostra inadequado para o cotidiano da sala de aula, em que se deve trabalhar a construção da aprendizagem e a formação para a cidadania. Ainda é difícil abandonar a Pedagogia do Exame, porque há falhas na formação do professor nesse sentido, e pela dificuldade em abdicar do respeito pelo medo em favor do respeito pela qualidade do trabalho pedagógico.

IVNA GIRÃOREPÓRTER                                                                                                                        Jo@o Kleber

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